Oi.
Quando eu acho que realmente a vida já me mostrou tudo aquilo que tinha para mostrar, percebo que estou longe de saber tudo, se é que algum dia alguém vai ser realmente capaz de saber tudo, tudo.
Da mesma forma que dizem que não nascemos ensinados, deviam ter em conta que também não nascemos preparados para a frieza da vida de vez em quando, tenho a certeza de que as pessoas com um medo de morte de andar numa montanha russa ou em qualquer outro carrossel mais radical, estão longe de saber que a vida é a viagem mais alucinante de todas, sem bilhete de entrada ou tempo cronometrado e como todas as outras diversões, chega a uma hora e simplesmente a viagem termina. Por isso quando utilizam a expressão "vivam a vida" estão realmente a ser honestos, mas ao contrario do que toda a gente pensa, viver a vida e matarem-se aos bocados, sem responsabilidade e cabeça, não são sinónimos, porque já que te deram o prazer de viver, então mais vale fazer da tua vida algo de útil, um exemplo para alguém mais tarde.
Com isto quero dizer que passamos o dia a dia a aprender até quando não percebe-mos, e nenhum de nós esta completamente consciente de quanta aprendizagem acumulamos durante as 24 horas do dia. Principalmente, sobre as pessoas.
À medida que crescemos, vamos desenvolvendo a partir dos negativos, ou seja, erramos para aprender a andar, a falar, a escrever, a ler e a ser, e vamos dando dois passos a frente a partir de cada passo atrás ou vice-versa, em todo esse processo desenvolvemos aquilo a que chamam personalidade, consoante o que a sociedade dita e a vida nos mostra, mas já depois de crescidos o suficiente para poder dizer que existe algo firme que é nosso e apenas nosso, esquecemos o essencial... que ninguém cresce de maneira igual a nós, somos vidas diferentes dentro de um mundo que nos une a todas, daí não ser a favor de julgamentos, porque não posso culpar alguém por não pensar ou agir da mesma forma que eu, afinal de contas quem me garante que o que é certo para mim é errado para alguém? e vira a página e volta ao mesmo?
Estamos todos separados por alguma coisa que nos distingue, um pico alto/baixo de feitio ou opiniões diferentes que derivam de educações, ensinamentos, religiões distintas. Por isso não consigo encostar ninguém a parede por nada que aconteça, não apoio que apontem dedos e no mais sincero eu, acho que é o maior erro da sociedade, apesar de compreender, ditar regras de como alguém deve ser ou agir, porque no fim da história, feitas bem as contas, são regras já raramente respeitadas. O mundo em si é uma divergência de opiniões gigante, por isso regras são quase em vão no que toca a mentalidades, quase como uma guerra porque até aqueles que dizem saber muito aprendem todos os dias cada vez mais, a realidade é que estamos sempre em constante mudança e evolução, por isso chegando aquela que é realmente a questão... quem és tu para julgar alguém? sem saber se vais cair no mesmo buraco ou se por algum factor fazer o mesmo?. A vida passa por mim e eu vim crescendo com ela, e acho que consciência própria foi a melhor coisa que desenvolvi em mim, não tenho um grupo de pessoas que posso dizer que seja igual, mas espero todos os dias que existam cada vez mais pessoas de mente livre o suficiente para desenvolver algo próprio também, e que com isso sejam capazes de baixar o dedo em vez de o apontar, e de fazer ouvir a sua própria voz para algo realmente importante em vez de um sussurro ao vizinho. Todos os dias tenho uma nova lição, e de certeza não existiam cadernos suficientes se fizesse um sumário para cada dia desde que nasci, mas se existe algo que a vida me ensinou e eu decorei como ninguém, é que todas as pessoas cruzam o meu caminho para levar algo de mim e deixar algo delas, desde uma memória a uma ferida, todas as vidas que se cruzarem na tua te vão fazer sofrer de alguma maneira... só tens que encontrar aqueles que valem a pena o teu sofrimento também.
xoxo